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Depressão e ansiedade na pandemia.

Depressão e ansiedade na pandemia.

Catarina Di Rienzo

Dados da OMS mostram que 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão, sendo a maior taxa da América Latina e a segunda maior das Américas. Estima-se que entre 20% e 25% da população teve, tem ou terá depressão, sendo essa a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil, seguida da ansiedade, doença que afeta 9,3% da população brasileira, o Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de países mais ansiosos do mundo.

A depressão e a ansiedade são transtornos mentais que possuem sintomas muito parecidos, pois muitas vezes, a depressão é acarretada pela ansiedade, elas andam de mãos dadas. Mas o quê é a depressão e a ansiedade? É muito importante a gente entendê-las para saber como lidar com essas doenças mentais.

A depressão, ao contrário do que muitos pensam, não é somente tristeza. Ela pode se manifestar por irritação, agressividade, falta de energia, ela pode muitas vezes ser confundida com a tristeza, mas a psicóloga Cristina Laubenheimer explica a diferença: “A gente tem que entender que a tristeza faz parte da nossa vida, é algo natural. Mas qual a diferença entre a tristeza normal e a depressiva? A normal é o sentimento de por exemplo quando você termina um relacionamento ou vai mal em uma prova. É uma tristeza natural, pois o próprio organismo precisa de um tempo para processar os fatos, e através da resiliência tocar a vida, depois tudo se encaminha. Já na depressão a tristeza vai se intensificando conforme o tempo, cada semana perdendo mais o prazer na vida, olhando o futuro sem esperança, o sono começa a ficar afetado, e surge o transtorno alimentar.” afirma.

A pessoa depressiva tem vergonha, ela se acha fraca e vai escondendo, e infelizmente, muitas vezes a família não percebe, acha que é uma fase e não considera a depressão como uma doença, mas é. A depressão traz alterações químicas no cérebro, pois há uma falta de serotonina, um neurotransmissor que regula o humor, o sono, apetite, ritmo cardíaco etc, por isso,  na depressão o organismo todo fica distímico. Então o acompanhamento médico se torna algo muito importante, para ver qual a medicação ideal.

O grande problema da depressão, são os milhares de pacientes que estão mal e não estão sendo atendidos por uma série de fatores, preconceito e subestimação da doença por exemplo. Logo, quando o paciente chega ao médico psiquiatra ele normalmente já está no último estágio da doença, onde a vida do paciente está muito comprometida.

“Nós temos que entender que saúde mental deve ser tratada como saúde física…então por que tanta resistência ao tratamento de transtornos mentais?” diz a psicóloga.

Já a ansiedade, doença que o Brasil está liderando no ranking, está se transformando no mal do século, mesmo já sendo uma doença do século passado, houve um pico nesses últimos anos, principalmente agora com o covid-19 e a pandemia. Enquanto a depressão pode ser confundida com tristeza, a ansiedade pode ser confundida com apreensão, mas há uma grande diferença. “A apreensão é aquele friozinho na barriga na hora de encontrar alguém que você gosta, na hora de fazer aquela viagem sozinho ou de apresentar um trabalho. Mas esse frio na barriga é algo positivo, que está te levando para um evento bom, é o seu organismo te preparando para você enfrentar essa situação. Agora a ansiedade são pensamentos de preocupação e antecipação de algo catastrófico, são pensamentos sobre o futuro que são ruins.” diz Laubenheimer sobre a ansiedade.

A depressão é o excesso de passado, lembrando tudo que não deu certo e não funcionou, carregado de autocrítica. Enquanto a ansiedade é sobre o futuro, o ansioso não olha o passado, inclusive, existem evidências que as coisas no passado deram certo, mas o foco dele é o futuro com pensamentos negativos. “Então você vai apresentar um trabalho, o ansioso pensa que não vai dar certo, ignorando as inúmeras outras vezes que deram certo mesmo que difícil.", Cristina diz que são pensamentos irrealistas, e acaba prejudicando a pessoa, pois o cérebro não sabe o que é real e o irreal, entendendo as situações de ansiedade como perigo e começa a soltar sensações no seu corpo evidentes e o paciente pode entrar numa espiral de ansiedade, e logo num ataque de pânico, transtorno que está ficando cada vez mais comum na pandemia.

O ataque de pânico é caracterizado por ataques recorrentes de ansiedade e medo, mas eles são tão intensos que o corpo começa a ter uma reação física como de sobrevivência, a sensação de perigo e o medo são irreais, mas como o cérebro não entende isso ele dispara uma reação de luta e fuga, um processo automático. É um transtorno muito assustador, pois você acha que está morrendo, enquanto na verdade é uma situação irreal que está vivendo, ela diz.

Na pandemia, esses números de doenças mentais cresceram muito por diversos motivos, entre eles, um dos principais, neste momento, o isolamento social, o ser-humano, como um ser sociável perdeu seu livre-arbítrio e sua rotina. Nós tivemos que nos realocar em uma vida totalmente diferente, e a pandemia nos impossibilita de sair com família e amigos, e isso gerou um estresse muito grande. “O grande problema da pandemia foi as pessoas perderem as suas rotinas, elas saírem do seu seguro e de repente  estamos todos contidos, fazendo da nossa casa escola e trabalho”. Além disso, a falta de informação da pandemia e do vírus gera um sentimento muito grande de impotência no ser humano. Cristina defende o ponto de que os novos casos de doenças mentais na pandemia já tinham uma predisposição, “Não é que o covid aumentou os episódios de depressão e ansiedade, mas as pessoas que já tinham uma predisposição dessas doenças mentais, nessa situação, tiveram os sintomas piorados, mas o que emerge foram os casos ocultos que não eram vistos antes.”.

E como a empresa pode ajudar? A empresa pode ser facilmente influenciada pela saúde mental dos funcionários. Com poucas noites de sono, problemas alimentares e dentre outras consequências da depressão e da ansiedade, a produtividade da empresa pode cair. Logo, é muito importante a relação entre a empresa e o trabalhador, palestras alertando e informando sobre esses transtornos, psicólogos disponíveis para ajudar e estar à disposição dos funcionários e até rodas de conversa onde uns podem ajudar aos outros.

É importante que a empresa disponibilize materiais informativos com temas relacionados à saúde mental, pois o compartilhamento de informações abre espaço para que as experiências pessoais dos colaboradores possam ser divididas, o que incentiva a busca por ajuda médica especializada, se necessário.

Tenha um ambiente onde os colaboradores se sintam acolhidos, ouvidos, e sejam livres de julgamento, ficando sempre a disposição de quem fala.

Saúde mental é coisa séria, e devemos prezar pelo bem-estar dos colaboradores.